Espera por lista de Dunga causa dor de cabeça em lateral; Michel Bastos vai à seleção para “garantir o pão”
Por Luciano Borges
Foi uma dor de cabeça. A expectativa de ser convocado pelo técnico Dunga e a festa que fez com a família – com direito a gritos e choro – causaram este efeito colateral no lateral e meia gaúcho Michel Bastos, de 26 anos.
Por volta das 21 horas em Lyon, na França, o telefone do jogador estava desligado. O Blog do Boleiro entrou em contato com o assessor de imprensa do atleta, Emanuel, que estava em Bruxelas e explicou que Michel estava repousando “por causa da dor de cabeça”.
Uma hora depois, Michel Bastos já estava bem e conversou por telefone. Garantiu que não estava assim tão ansioso (“não muito”) e garantiu que nem esperava a boa notícia. Mas ao contar como soube que foi chamado para enfrentar Inglaterra e Omã, em novembro, ele se entregou.
“Minha esposa, Letícia, foi me buscar depois do treino. Como ainda estamos conhecendo Lyon, fomos dar uma volta com minha sogra, um cunhado e meu afilhado. Depois almoçamos. Quando eram duas horas da tarde, a Letícia procurou um computador e viu meu nome na lista”, contou.
A notícia causou, segundo o próprio jogador, “uma festa com choro, risada e gritaria”. Em meio à farra, Michel Bastos, pensou no que vai precisar fazer na semana que passar com Dunga na seleção brasileira.
Blog do Boleiro – Você sabe o que o Dunga quer de um jogador de seleção?
Michel Bastos – Cada jogador tem sua característica. Vou lá para desmonstrar meu futebol. Eu faço uma idéia do que o Dunga quer. Vou mostrar o futebol que joguei no Lille e aqui no Lyon. Vou tentar convencer o treinador que mereço ficar no grupo.
Você já leu ou ouviu Dunga falar sobre o comprometimento que os atletas precisam ter com a seleção?
Já. Acho que sou assim, graças a Deus. Todo mundo que me conhece, desde o tempo do Figueirense e aqui na França, sabe que sou firme, treino duro, jogo sério e sempre mostrei vontade maior do que os outros de treinar e jogar bem.
Michel nasceu em Pelotas (RS). Jogou no Atlético Paranaense. Chamou a atenção dos franceses em 2005, quando marcou 10 gols no Campeonato Brasileiro pelo Figueirense. No Lille, anotou 14 tentos na temporada 2008/2009. Custou ao Lyon cerca de 24 milhões de euros. Veio para ser o substituto de Juninho Pernambucano.
Ou seja, desde que deixou o Brasil, Michel deixou a lateral-esquerda e foi para a frente. É um meia que faz assistências e finaliza também. E lembra que se tornou um jogador polivalente. “No Lille, joguei de volante, lateral-esquerda e meia. Não vejo problema nenhum em jogar na lateral”, afirmou.
Blog do Boleiro – Você e o Fábio Aurélio tem uma coisa em comum: não estão jogando como laterais.
Michel Bastos – Não dá para mentir. Hoje em dia, todo mundo sabe que jogo mais na frente. Mas o André Santos, que conheço e admiro, também joga mais no ataque, mesmo no Corinthians. O Filipe Luis, que eu conheci num jogo contra o La Coruña, também atua assim. Mesmo do lado direito, o Maicon e o Daniel Alves não são laterais defensivos em seus clubes. Acho que não vou ter problema.
E esta disputa para ver quem começa como titular?
Antes de tudo, queria felicitar o Fábio Aurélio pela convocação. Na semana que vem, nós vamos nos enfrentar aqui em Lyon pela Liga dos Campeões. Sei da responsabilidade e da pressão que vestir a camisa da seleção provoca. Vou tentar mostrar um bom futebol.
Depois que acordou e se livrou da dor de cabeça, Michel Bastos reparou no efeito que a seleção brasileira causa. “Aqui, vários jogadores africanos são convocados para suas seleções e ninguém noticia. Hoje, a televisão francesa mostrou minha convocação. Já recebi vários telefonemas de jornalistas daqui e do Brasil. A seleção brasileira é a maior do mundo”, concluiu.
A imprensa francesa vinha, há cerca de um mês, perguntando em reportagens porque Michel Bastos não era convocado por Dunga. Daí, talvez, a expectativa do jogador na tarde desta quarta-feira.
Hoje, Michel Bastos sentiu o preço da fama. O Lyon já tinha programado uma sessão de autógrafos na loja oficial do clube. Ele passou quase uma hora e meia assinando o nome e posando para as fotos com os torcedores.
Mas a cabeça – sem dor – do lateral-esquerdo do time francês anda pensando ao em uma coisa: “Quero mostrar um ótimo trabalho para garantir o meu pão, a minha vaguinha”.






