Por Luciano Borges
O meia Petkovic é ídolo no Flamengo, candidato a melhor meia-esquerda e craque da galera do Campeonato Brasileiro. Na semana passada, o sérvio eternizou seus pés na Calçada da Fama do Maracanã, sendo o quinto estrangeiro a deixar sua marca no meio de 99 atletas. E já está sendo comparado a Zico, maior ídolo da história do rubro-negro.

O que Zico pensa a respeito? Ele acha isso tudo um perigo para Petkovic. Falando ao Blog do Boleiro por telefone de Atenas, pouco depois de ter acordado de uma noite curta de sono, ele procurou as palavras certas para dizer o que pensa sobre o novo herói do Flamengo.
“É… o importante é não dar para ele essa responsabilidade de… e também dessa comparação. Por que, graças a Deus, a gente conseguiu muita coisa ali. O Pet já faz parte da história do clube, já tem maturidade grande e está mostrando aí sua capacidade, sua qualidade. E todos esperam muito de quem pode dar. Não se espera de quem não pode dar”.
Para o Galinho de Quintino, o sérvio, cuja contratação foi contestada no início, vem andando na linha. “Ele está se mostrando um ótimo profissional, se cuidando, se comportamento muito bem e ajudando o time”, disse. “Torço para que tenha sucesso aí nesses jogos finais”.
Zico torce por Petkovic e pelo Flamengo. O que não o impede de dar ao São Paulo o favoritismo ao título do Campeonato Brasileiro. “A briga está aberta, mas quando você só depende de si é menos difícil”, falou.
No domingo, por um canal internacional, Zico acompanhou o empate entre Flamengo e Goiás (0 a 0). Ficou com a sensação de que os rubro-negros perderam o foco.
Ele usou a primeira pessoa do plural para comentar o desempenho do seu ex-clube: “Nós nos preocupamos demais com o jogo do São Paulo e esquecemos que não iríamos enfrentar um time bobo. O Goiás é uma equipe forte”, afirmou.
Jogo decisivo como o do Maracanã, logo depois do Botafogo ter batido o São Paulo por 3 a 2, deveria ser encarado como batalha disputada palmo a palmo. É o que acha Zico: “Era jogo para ganhar de meio a zero”.
Quatro vezes campeão brasileiro pelo Flamengo, o ex-atacante teme não fazer festa nas próximas duas rodadas: “Acredito que vai estar tudo definido neste final de semana”. Ele não acredita que o Corinthians vai facilitar a vida do rubro-negro no jogo de domingo, em Campinas. E acha que o São Paulo passa pelo Goiás, em Goiânia.
ORGULHO PELO SUCESSO DE ANDRADE
O ceticismo de Zico – autor de 508 gols em 731 jogos pelo Flamengo – não o impede de ficar feliz com a campanha do time e com o desempenho do técnico Andrade. Motivo: foi ele quem abriu as portas para o ex-companheiro de equipe iniciar a nova carreira.
“Não é nem porque somos amigos até hoje. Eu fui responsável pelo lançamento do Andrade como técnico da categoria juvenil do CFZ. Ele fez tudo no nosso clube, galgou todos os degraus e quando estava preparado, foi buscar seu espaço”, conta orgulhoso.
A passagem por equipes de base proporcionou, na visão de Zico, experiência suficiente para Andrade encarar um grupo com estrelas como Adriano e Petkovic. “Com os jovens e adolescentes, ele enfrentou problemas iguais e mais complicados do que está enfrentando agora. Com a garotada, o técnico precisa orientar na vida e não só no futebol”.

NA GRÉCIA, A ESPERA PELOS CONTUNDIDOS
No próximo dia 9 de dezembro, em Atenas, o Olympiakos precisa apenas de um empate com o Arsenal para passar à segunda fase da Liga dos Campeões da UEFA. Nesta terça-feira a equipe grega empatou sem gols com AZ Alkmaar, da Holanda, e ocupa o segundo lugar do Grupo H.
“Foi uma partida equilibrada, mas tivemos chance de vencer. Criamos oportunidades para isso. Nosso grupo é muito equilibrado, mas temos uma coisa boa: dependemos só de nós, mesmo que seja contra o Arsenal”, disse o treinador brasileiro.
Zico lamenta apenas não ter conseguido – desde o início do torneio – contar com seus três melhores jogadores. “Não consegui colocar força máxima em campo. O Diogo (brasileiro), o Galletti (argentino) e o Torossidis, que é titular da seleção da Grécia, estão contundidos há um tempo. Mal comparando, seria como se o Arsenal ficasse sem o Van Persie (holandês), Fábregas (espanhol) e o Arshavin (russo)”, disse.