Júlio Baptista faz exercício de paciência para ser titular do Brasil em 2010
Por Luciano Borges
Paciência. Esta é a arma que Júlio Baptista usa para continuar na briga por uma vaga na seleção brasileira de futebol. É quase certo que ele vai disputar a Copa do Mundo na África do Sul. O técnico Dunga gosta dele e de sua personalidade. Mas ele tem um problema: o titular em sua posição é Kaká. “É preciso ter muita paciência em tudo na vida, especialmente no futebol. A chance vai chegar”, disse o jogador.
A partir desta segunda-feira, o Júlio inicia sua pré-temporada com o time da Roma. E encara o ano que terá pela frente como crucial: “É preciso estar muito bem se quiser disputar o Mundial”, afirmou ao Blog do Boleiro.
A preocupação em passar 2009/2010 bem fisicamente começou há cerca de 10 dias. Antes de participar do casamento de Robinho no Guarujá, Júlio foi até o Centro de Treinamento do São Paulo. Lá, se submeteu a um teste isocinético. Ele avalia a força, potência e resistência muscular das duas pernas e o equilíbrio entre elas.
O jogador da Roma fez o exame porque quis. O clube não pediu esta avaliação. Júlio sabe que evitar lesões é dever de todo atleta. Desde menino, o paulistano da Vila Sônia conheceu também a vantagem de ser alto e forte. Desde que entrou na escolinha do São Paulo em 1994, com 13 anos de idade, ele acumulou títulos e jogou como titular no meio de campo.
Na Europa desde 2003, Júlio jogou pelo Sevilha, Real Madrid, Arsenal e Roma. É titular do time romano. Mas não tem o mesmo status na seleção brasileira de Dunga. Dos 45 jogos que o selecionado disputou sob o comando do treinador gaúcho, ele foi titular em dez. Não começa uma partida desde maio do ano passado.
A história de Júlio Baptista na seleção já dura oito anos. Ele disputou três Copas da Confederações e ganhou duas. É bicampeão da Copa América em 2004 e 2007. Nesta última edição, teve a oportunidade de atuar como meia titular em quatro partidas seguidas. Foi fundamental nas vitórias sobre o Uruguai (semifinal) e Argentina (final).
Mesmo assim, não consegue espaço para ser titular. Na Venezuela, dois anos atrás, Kaká estava fora da Copa América. Com o novo ídolo do Real Madrid de volta, jogando bem, Júlio passou a ser seu reserva imediato. E dá aula de bom comportamento. Não reclama em público. Treina forte. Ajuda no bom ambiente do grupo.
E mostra paciência. Muita paciência.
Blog do Boleiro – Você fez este teste a pedido da Roma?
Júlio Baptista – Não. Sempre que posso, venho aqui no Reffis para rever os amigos, dar um abraço no pessoal. Eu quis fazer esse teste. É importante no início de temporada. Este tipo de prevenção não é feito na Europa.
Qual foi o resultado?
Está legal. Não foi detectado nenhum desequilíbrio entre as musculaturas das duas pernas. Quando tem desequilíbrio muscular, a probabilidade de lesão muscular aumenta. E este é um ano importante. Não dá para bobear.
Afinal, falta um ano para a Copa do Mundo.
É isso. É importante jogar bem e estar bem fisicamente.
Você é chamado constantemente pelo técnico Dunga. Ele confia em você, mas está difícil se tornar titular da seleção brasileira. Como você encara essa situação?
É complicado. É difícil. Na seleção, o período de treinos é curto. Você tem que estar sempre bem. O Dunga tem um time titular na cabeça dele. A gente tem que treinar e estar pronto para, quando for preciso, entrar e jogar bem.
A Copa América de 2007 foi seu melhor momento?
Sim, porque lá tive uma sequência de jogos. Eu sempre digo que agradeço ao Dunga por ter me dado, por uma vez, a chance de demonstrar meu trabalho. O Dunga conhece meu trabalho, minha história. Tenho certeza de que ele ainda vai me utilizar.
Haja paciência.
É. É preciso paciência para tudo na vida, ainda mais na seleção. Encontrar espaço no futebol é difícil. Leva um certo tempo para aparecer a oportunidade.
Na história dos Mundiais, nem sempre o time do Brasil que começa o torneio é aquele que termina.
O futebol tem dessas coisas. Até a Copa do Mundo de 2010 tem muito tempo. Vou voltar a treinar agora e me preparar para estar fisicamente muito bem. E, em campo, vou jogar para mostrar que estou bem tecnicamente. No Mundial, quem está melhor vai jogar.
O que você achou da África do Sul?
Nas cidades por onde passamos – especialmente Joanesburgo e Pretoria – deu para ver que são cidades carentes, buscando o desenvolvimento. Foi tudo bem na Copa das Confederações. Acho que a oportunidade de organizar um evento como a Copa do Mundo ajuda a desenvolver o país organizador. A sensação que deu é de que eles estão crescendo quinze anos em cinco.
Fora as atrações locais. Como foi visitar um safári?
Foi legal. Nunca pensei que ia fazer tanta coisa na minha vida. Conheci gente legal, lugares legais. Agora nessa folga, passei uns dias na Sardenha (sul da Itália). Muito bonito. Fui com minha noiva. Conheci lá o Flávio Briatore (chefe da equipe Renault de F-1) e gente ligada à música. Foi muito legal.
Você ainda toca cavaquinho?
Toco, toco. Faço sempre um som com o Robinho. Ele é muito bom na percussão. Tocamos juntos no casamento dele. Foi muito legal.
Você é um atleta que não proporcionou nenhum escândalo. Você é um cara comportado?
Tranquilo. Sou um cara focado. Hoje em dia, com a exig6encia que o futebol tem, é preciso estar muito bem fisicamente. Isso vai de cada jogador. Eu quero estar sempre cem por cento bem.
Mas o fato de você ser um cara alto (1m87) e forte (88kg), já o marcou como um volante que usa mais o físico do que o talento.
Infelizmente, pelo fato de eu ter um físico privilegiado, já li e ouvi que não sou um jogador habilidoso. As pessoas confundem o fato de eu ser forte com falta de qualidade até para ser jogador de seleção.
Você começou no São Paulo como volante.
Na verdade, eu era meia na base do São Paulo. Jogava do meio para a frente com 14 anos. Quem me passou para volante foi o Pita (técnico da base em 2000). Ele teve uma visão que provou estar certa. Ele me propôs passar para segundo volante. Explicou que eu passaria a desenvolver uma visão de jogo melhor e poderia marcar bem. Aí, se precisasse jogar mais na frente, não haveria problema.
Mas você só foi jogar com liberdade na frente quando chegou no Sevilha.
Eu sempre digo que me desenvolvi muito no Sevilha. Eu fui contratado como segundo volante. Mas já nos treinos, o treinador Joaquin Caparrós viu que eu tinha força para chegar perto dos atacantes, finalizar, tentar os gols. Ele me pediu para fazer isso. Logo na primeira temporada, marquei 20 gols e fiquei atrás somente do Ronaldo.
Mas aí você já jogava como meia atacante.
Isso. Passei a ter liberdade para chegar nos atacantes, rodar pelo ataque. Fiz gols. Também me tornei cobrador oficial de pênaltis, depois que o Reyes saiu e foi para o Real. Depois, nos treinos, o Caparrós me viu praticando cobrança de faltas e fez de mim cobrador de faltas também.
Hoje, na Roma, você desempenha o mesmo papel?
Tenho a obrigação de marcar quando o adversário tem a posse de bola. Mas tenho a mesma liberdade para jogar solto. Lá sou cobrador oficial de faltas. O batedor de pênaltis é o Totti.

Tudo bem que ele é muito bom, merece uma oportunidade, mas nós não queremos que nada aconteça com o Kaká!
Comentário por Marcela — 20 de julho de 2009 @ 14:58
O Júlio é um cara que sempre entra bem na Seleção. Não me lembro de um jogo que ele tenha entrado e não tenha sido proveitoso para nossa esquadra. Creio eu que ele poderia muito bem jogar ao lado do Kaká, da mesma forma que jogam o Ramires e o Elano. Seria como um neo-”quadrado mágico” (Kaka, Julio, Robinho e Fabiano). E, como ele tem qualidades tanto ofensivas quanto defensivas, a parte de contenção não ficaria prejudicada. Porém como o Dunga confia hoje em laterais com ares de alas, sempre subindo e ajudando o ataque, eu creio que ele jamais arriscaria colocar o Júlio nessa função. Porém, seria bonito ver o Brasil atacando com, pelo menos, 4 homens. Enfim, na pior das hipóteses temos aí um reserva de luxo!
Comentário por Guilherme — 20 de julho de 2009 @ 15:47
Bixo, Julio Batista é um Lorde! Como pode um sujeito deste tamanho ter tamanha fineza, categoria com a bola, e educação??!?
Rola mesmo um certo estranhamento quando um brutamontes desse abre a boca e só saem palavras coerentes, calmas…
Eu boto fé total no julio! Inclusive se ele tiver que ficar no banco, vai entrar sempre que precisar… como tem sido… e não vai ficar de birra, pq entrou depois… vai entrar e resolver!!!!!
paciência, Julio, tua hora vai chegar!
Comentário por Vai Julhão! — 20 de julho de 2009 @ 16:20
Alô Luciano Borges. Grande camarada dos velhos tempos. Gostei da matéria com o nosso Júlio Batista. Esse cara é mil. Um abraço. Parabéns. Sou teu seguidor.
Cavalo na área.
Comentário por Rozinaldo Ribeiro — 30 de julho de 2009 @ 0:32