
Por Luciano Borges
Durante a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, logo depois da vitória do Brasil sobre o Japão por 4 a 1, em Dortmund, Dunga – então comentarista do canal Bandsports – disse que seria uma boa idéia o técnico Carlos Alberto Parreira criar uma área de desconforto com os titulares.
Na opinião dele, os reservas Cicinho, Gilberto, Juninho Pernambucano e Robinho entraram desde o começo do jogo e foram bem. “O Parreira poderia aproveitar e dizer que agora está em dúvida. Assim, os titulares não vão ficar achando que estão garantidos”, disse na época.
Os atletas de quem Dunga falava eram Cafu, Roberto Carlos, Zé Roberto e Adriano. O ex-jogador gaúcho achava que a vida dos homens que Parreira colocou em campo contra Croácia e Austrália estava muito tranquila e não criava disputa pela posição.
Por isso, desde que assumiu a seleção brasileira em 2006 – depois do Mundial – Dunga vem seguindo a cartilha do desconforto com seus atletas.
Maicon era titular absoluto? Não, porque Daniel Alves ganhou a chance de mostrar serviço e deixou o lateral da Internazionale no banco contra Paraguai e Egito. Resultado: a briga no setor está em aberto. Elano vinha bem? Ramirez criou uma sombra incômoda. E Felipe Melo parece ter tomado conta do lugar entre os volantes. Josué que se cuide.
Quando convocou André Santos, do Corinthians, o treinador conversou com o Blog do Boleiro e mandou um recado ao novo integrante da seleção: “Aqui existe critério e quem quer ganhar a vaga de titular precisa mostrar serviço”, disse.
Nesta quinta-feira, na vitória por 3 a 0 sobre os Estados Unidos, André teve sua oportunidade. Na próxima partida do Brasil contra a Itália, o torcedor vai saber se o colorado Kleber perdeu a posição de verdade. Contra o Egito, ele levou várias broncas do técnico.
Por isso, em Pretória, Dunga disse que era bom colocar os reservas em campo diante dos EUA. Ele apontou o motivo principal (cansaço dos atletas) e apostou no efeito colateral: “É bom para que haja uma disputa por posição”, disse.
Na seleção brasileira de Dunga, ninguém reclama de falta de oportunidade. Nem o meia Júlio Batista, que é chamado com constância de titular, mas fica na reserva. Dunga confia nele. Gostou do que o atleta da Roma fez na última Copa América, quando mostrou serviço especialmente na final diante da Argentina.
No entanto, Júlio tem um problema: seu amigo Kaká é considerado o homem com quem ele disputa a posição. E, depois de sentar no banco de reservas nos primeiros dias de Dunga, a nova estrela do Real Madrid se tornou o principal jogador do time.
Nesta lista, não vale ainda contrapor Miranda a Juan. Este último só não joga por problema físico. Lúcio, então, sobra na disputa com Luisão. Júlio César está garantido no gol porque ali a decisão é mais do preparador de goleiros Wendel.
Se Dunga cumprir o que sugeriu a Carlos Alberto Parreira três anos atrás, ele vai demorar um pouco para confirmar quem enfrenta os italianos. Elano viu Ramirez se sair bem. Daniel Alves observou do banco a disposição de Maicon. Kleber acompanhou o desempenho de André Santos.
Até aqui, o setor do time que ainda não conseguiu deixar os titulares desconfortáveis é o ataque. Nilmar fez gol contra o Paraguai. Ainda precisa provar que pode entrar porque responde à pressão. Já Alexandre Pato está num estágio anterior: ele não vingou nas vezes em que foi colocado em campo, mas Dunga sabe o que ele pode fazer e vai ter paciência para ver o retorno.
Foto: Reinaldo Marques/Terra
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