Por Luciano Borges
Neste domingo, Kléber abriu o placar da vitória do Cruzeiro sobre o Atlético Mineiro por 5 a 0. A primeira partida final do Campeonato Mineiro terminou e o atacante, muito perto de ser campeão estadual, viajou para São Paulo. De noite, jantou com amigos e com o empresário Giuseppe Dioguardi.
Hoje, dia seguinte ao 14º gol em 14 jogos pelo Cruzeiro, o jogador reviu os familiares e conversou com seu representante sobre o possível interesse do Lyon, da França. Os dois não comentam a informação que foi divulgada em Belo Horizonte.
Na conversa por telefone com o Blog do Boleiro, o jogador disse que está mais adaptado ao futebol brasileiro e que os árbitros daqui estão mais acostumados com ele. O que resulta em menos cartões vermelhos.
Os gols, produto mais bem acabado de Kléber, continuam saindo com regularidade de um por partida.
Mas Kléber está mesmo impressionado com Ronaldo. Ao atender a ligação, ele tinha acabado de ver na televisão os dois gols do Fenômeno sobre o Santos, na vitória do Corinthians por 2 a 1.
Blog do Boleiro – Boa noite.
Kleber – Boa noite. Você viu Corinthians e Santos?
Vi. O Santos criou várias oportunidades e o Corinthians tinha o Ronaldo.
Cara, eu vi os gols na televisão agora. O Ronaldo sabe demais. Como ele faz isso? O gol dele, o drible, a bola por cima do goleiro. É coisa de gênio. Coisa de Deus. Ele é muito frio.
Você é fã dele?
Claro que sou. Aliás, você reparou que o Brasil inteiro anda torcendo pro Cor-inthians só por causa dele? Em Belo Horizonte, as pessoas torcem pelo Corinthians. Mesmo em São Paulo, já encontrei palmeirenses e são-paulinos que falam que são simpáticos ao Corinthians só por causa do Ronaldo.
Mas o Ronaldo é seu concorrente a uma vaga no ataque da seleção brasileira.
Ah, mas estou torcendo muito por ele. Eu fico feliz de vê-lo jogar assim. De repente, vamos nós dois para a seleção. Mas do jeito que ele está jogando, ainda vai ser chamado pelo Dunga. O que ele fez é extraordinário.
O seu sonho de jogar na seleção brasileira está valendo?
Ah, quero muito jogar pelo Brasil. Ainda espero realizar este sonho. Sei que existem muitos jogadores de qualidade na minha posição, mas jogo e luto para ser convocado.
Vamos falar de Campeonato Mineiro. Você já viu algum time tirar uma diferença de cinco gols numa final?
Eu não me lembro de ter visto isso não. Cinco gols? Vai ser difícil o Atlético Mineiro fazer esta diferença. É nunca vi. Lembro daquela final da Mercosul quando o Palmeiras vencia o Vasco da Gama por 3 a 0 e acabou perdendo por 4 a 3. Mas vencer por cinco gols de diferença…
Você já se considera campeão mineiro?
Vai ser difícil ter uma virada. Acho que o Cruzeiro já é campeão. Vamos ter que jogar o suficiente para não sofrermos uma surpresa. Vamos trocar bola, deixar o tempo passar. Vamos enrolando o Atlético Mineiro e, de repente, até ganhamos o jogo.
Você abriu a goleada de domingo por 5 a 0. Como foi o gol?
Eu recebi o lançamento e precisei esticar a perna para matar a bola. Aí toquei para o Vagner que devolveu de calcanhar. Chutei meio de bico. Não tinha tempo para ajeitar melhor a bola. Se não chuto, o cara ia me travar.
O gol tornou o jogo mais fácil?
O Atlético Mineiro começou com praticamente três zagueiros e três volantes. Ficou difícil de criar chances de gol. Aí saiu o primeiro gol e o Atlético se abriu. Teve que vir pra cima do Cruzeiro. E fazer isso no Mineirão, com nosso time cheio de caras velozes, com dois volantes que sabem jogar, acabou virando goleada.
Você marcou 14 gols em 14 jogos.
A média está boa, não está?
Está. E você acha que está jogando mais do que jogou no Palmeiras no ano passado?
Acho. Mas precisa lembrar que eu vinha de uma cirurgias no joelho. Eu comecei a me tratar no Santos, com o Filé (Nilton Petroni Jr, fisioterapeuta). Aí voltei para a Ucrânia e o Dínamo me emprestou para o Palmeiras. Lá, terminei meu tratamento com o Filé, que tinha mudado de clube junto com o Vanderlei Luxemburgo. Quer dizer, até me recuperar do joelho, joguei com dor. E ainda tive problema para me adaptar ao futebol brasileiro.
Você está falando dos cartões e da fama de violento?
Estou.
Já pegou a manha do futebol brasileiro?
Eu ainda tenho um pouco de dificuldade. Eu sou um atacante que marca muito. Então, em alguns lances eu ainda chego forte. Mas, em comparação com o ano passado, estou bem melhor. Não dá nem para comparar. Fiquei agora uns 12 jogos sem receber cartão. Nesta semana, recebi um amarelo na Libertadores (contra o Deportivo Quito) e outro ontem, por causa da comemoração (Kléber imitou um galo, fez chororô e puxou a camiseta).
E a relação com os árbitros?
Os juízes começaram a ver que o Kleber não é violento. É mais meu estilo de jogar e eu apanho muito por isso. Não faço muitas faltas. Sofro muitas faltas.
O que você acha do nível do Campeonato Mineiro?
Em comparação com o Campeonato Paulista, está um pouco abaixo. Desde o começo a gente sabia que a final ia ser entre o Cruzeiro e o Atlético Mineiro. Agora, esses dois times são bons, vão entrar forte no Campeonato Brasileiro. Acredito muito no Cruzeiro. Nós vamos entrar no Brasileiro para ganhar.
Quem é bom de bola no seu time?
Acho o Marquinhos Paraná muito bom. Ele é volante. A equipe tem também o Ramirez, o Vagner, o Tiago Ribeiro, o Fabrício (outro volante). A base é muito boa. O grupo é veloz.
Está feliz com o Cruzeiro?
Estou muito feliz. Fui bem recebido, a torcida apóia o time direto. Aqui, a gente tem respaldo para trabalhar tranquilamente. Estou gostando muito.
E de Belo Horizonte?
Estou conhecendo a cidade. É legal. O torcedor é apaixonado, tem me tratado muito bem. Saio sempre para comer com o Gustavo (zagueiro do Cruzeiro) e o Élder Granja (lateral do Atlético), que conheci no Palmeiras.
A torcida do Atlético Mineiro pode fazer a diferença domingo que vem?
Acho difícil o Atlético devolver os 5 a 0, mas a torcida deles empurra o time. Vamos precisar tomar cuidado, ter os pés no chão, porque assim vou ganhar o segundo estadual seguido. Vou ser bi.