Artilheiro do Palmeiras é movido a assobio do pai

Por Luciano Borges
Quando era garoto, Thiago Cunha passava o verão em Vila Velha, Espírito Santo, onde o pai, Ayrton, mora. Junto com os irmãos Diego e Fábio, eles iam até a praia Coqueiral de Itaparica para jogar futebol e nadar. E tinham um código para saber quando estavam indo longe ou fundo no mar: o assobio do Ayrton. “É um assobio forte. A gente escutava de longe. E faz tantos anos que eu reconheço até hoje”, disse o atacante do Palmeiras.
Na noite desta quarta-feira, na partida contra o Vasco da Gama, Thiago ouviu várias vezes o assobio do pai. Ayrton, de 52 anos, trabalhador aposentado da indústria naval, acompanhou das numeradas descobertas do estádio Palestra Itália a vitória por 3 a 0, com dois gols do filho do meio. “Eu assobio para ele ficar ligado. Eu sei que o técnico quer ver o Thiago se movimentando pelas laterais do campo e entrando pelo meio. Ele não pode parar”, disse ao Blog do Boleiro.
Thiago ouviu os sinais sonoros do pai. “Eu sabia que era dele. O estádio não estava muito cheio e ele assobia alto pra c……”, afirmou o jogador que foi contratado depois de uma passagem frustrada pelo Irati do Paraná.
O pai pressiona. “Não dou sossego mesmo”, admite. Tanto que, no segundo tempo, quando caiu pela esquerda do ataque, Thiago Cunha escutou o assobio e gesticulou para Ayrton maneirar. “Tinha batido cansaço. Falei pra ele parar de assobiar um pouco”, contou.
O camisa 32 do Palmeiras não precisou deste estímulo para fazer os dois gols contra o Vasco. No primeiro, uma “puxeta” no ar depois do passe de Maicosuel, ele lembrou as peladas em Vila Velha. “Já tentei essa jogada antes, mas nunca em jogos oficiais”, disse.
Ele conta que teve pouco tempo para reagir ao lance. Em parte porque pensou que estava impedido. “Esperei o apito. Não veio e então me deu a inspiração. Este foi o gol mais bonito da minha carreira”, garante.
A carreira de Thiago Cunha, de 23 anos, andou meio errática desde que começou ainda garoto no Furacão, time dirigido pelo tricampeão mundial Jairzinho. Ele já passou pelo futebol inglês, espanhol e húngaro. Começou profissionalmente no Rio Branco (ES). Nas duas últimas temporadas, andou pelo Queimadense da Paraíba (“eu nem sabia que existia esse time”) e pelo Santa Cruz, onde marcou oito gols em seis jogos.
Segundo o assobiador Ayrton, o filho sempre foi artilheiro onde passou. Mas se deu mal com alguns clubes que não cumpriram o prometido. E com um empresário que aconselhou o atacante a utilizar o documento do irmão, um ano mais novo, para jogar no Guarani (SP). Ele aceitou, mas se sentiu incomodado com a situação, chegou a ficar deprimido e, antes mesmo de ser pego pela troca de identidade, contou a verdade.
Thiago Cunha vai se livrar dos assobios do pai por uns tempos. “Seo” Ayrton voltou para Vila Velha nesta quinta-feira. Vai aguardar por nova oportunidade do filho jogar, enquanto torce pela televisão. Assim como a carioca Isabella, de Volta Redonda, que namora o jogador há mais de um ano e vai ser pedida em casamento em dezembro.
Foi para ela que Thiago ofereceu o primeiro gol. Depois do jogo, Isabella disse que chorou quando ouviu a frase “Isa, eu te amo”. O garoto está se esforçando. Filho da mensalista da família da namorada, ele vem conquistando o sogro aos poucos. “Ele já está legal. Em dezembro a gente vai ficar noivos”, disse.
Ae Thiagao, espero que continue assim, tentando ser titular, a parada é dura, tirar Alex o cabeça de ovo e o monstrinho do Kleber, e ainda tem o pentacampeao Denilson, seja humilde e jogue sua bola que vc em breve consquistara uma vaga ai dentro
Comentário por Bruno — 18 de setembro de 2008 @ 16:54