Terra Magazine

29 de agosto de 2008

Chelsea quer apresentar Robinho até domingo

borges_luciano às 10:14

O empresário do atacante Robinho, Wagner Ribeiro, acordou esta manhã em Madri disposto a finalizar a negociação que decide a saída do jogador do clube espanhol e a ida dele para o Chelsea da Inglaterra. "O prazo das transferências está terminando e o Chelsea quer apresentar o Robinho antes da partida contra o Tottenham no domingo", afirmou.

Ribeiro lembrou ao Blog do Boleiro que "Robinho não tem a menor vontade de permanecer no Real" e apontou o principal motivo: "Ele ficou muito irritado com o presidente Ramón Calderón".

O mau-humor do atacante brasileiro não teria sido causado apenas pela postura do dirigente, que teria colocado o seu nome na negociação para contratar Cristiano Ronaldo, atleta do Manchester United. "Isso pesou, mas tem outros detalhes que vocês saberão mais pra frente", declarou o empresário.

Peter Kenyon, diretor executivo do Chelsea, também saiu da cama cedo. Ele está junto com Wagner Ribeiro para a última investida. O clube londrino está disposto a pagar 45 milhões de euros. Calderón já declarou que Robinho só sairá se pagar a multa contratual de 150 milhões de euros. Os periódicos Marca, As e Don Balón dão como certo o blefe do presidente do Real.

Na Espanha, a saída de Robinho é tratada como fato inevitável. Por outro lado, Kenyon disse aos jornalistas espanhóis que a contratação de Robinho acabou de vez com o interesse em Kaká, do Milan. E assegurou que a indicação do ex-jogador do Santos foi feita pelo técnico Luiz Felipe Scolari para dar ao time do russo Abramovich "o toque de classe que falta para o Chelsea chegar aos títulos europeus"

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22 de agosto de 2008

Pelé: não façam jovens serem gênios antes da hora

borges_luciano às 3:51

Por Luciano Borges

Pelé disse "é um alerta". Durante a visita que fez na tarde desta sexta-feira à Vila Olímpica, o Rei do futebol resolveu dar uma opinião que ele mesmo definiu como "pessoal": "nós temos dois anos até a Copa do Mundo da África do Sul (2010) e seis anos para o Mundial no Brasil (2014). É preciso que se pare de transformar todo novo talento que aparece no Brasil em um grande craque. O que acontece é que os meninos são tratados como gênicos e ainda nem têm experiência para carregar esse peso".

Perguntado pelo Blog do Boleiro se ele estaria se referindo a algum jogador em particular, Pelé citou Alexandre Pato, Robinho e Diego como exemplos. "Mas isso não é uma crítica a eles. O que está acontecendo no Brasil hoje é que um atleta ainda menino, se faz alguns jogos bons, já é tratado como gênio e já é negociado para fora. No meu tempo, havia a categoria de aspirantes. Um jogador para chegar ao time principal já tinha 23 ou 24 anos e já era experiente".

Para provar que não está criticando a Seleção Olímpica masculina - que disputa a medalha de bronze nesta sexta-feira, em Xangai, contra a Bélgica -,Pelé deu mais uma vez um desconto: "Temos que lembrar o pouco tempo de treinamento que esta equipe teve. A Argentina veio muito mais entrosada para a Olimpíada".

Durante a visita, antes de almoçar com os atletas brasileiros no restaurante da Vila, Pelé conheceu a prefeita do local, a chinesa Deng Yaping. Ao saber que se tratava da maior ex-jogadora de todos os tempos de tênis de mesa - dona de quatro medalhas olímpicas -, o brasileiro fez elogios. Recebeu ainda um buquê de flores e deu em troca uma bola de futebol autografada. Por ele.

Neste clima, ele só errou quando resolveu também dar bola para um repórter argentino que o acompanhou desde a entrada fazendo gozação e perguntando como ele viu a derrota para os argentinos na semifinal do torneio masculino.

Pelé manteve a classe, defendeu o orgulho de se receber medalha de prata ou de bronze e se viu livre do piadista graças à intervenção de alguns repórteres brasileiros, que retiraram a equipe argentina de perto do ex-craque.

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21 de agosto de 2008

FIFA estuda ingresso popular no Mundial / 2010

borges_luciano às 12:32

Por Luciano Borges

A FIFA estuda a criação do ingresso “Tipo 4” que poderá ser adotado na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. A idéia é vender uma cota de entradas a preço acessível às camadas mais pobres da população sul-africana.

A informação foi dada ao Blog do Boleiro pelo chefe executivo da entidade, Enrique Byrom, que cuida da distribuição e venda de ingressos. Ele explicou que a medida esbarra ainda nas leis do país-sede do próximo Mundial. “Criar um ingresso para uma fatia da população pode ser considerado discriminação”, disse.

Até aqui, dois anos antes do evento, a única ação no sentido de atender o torcedor sul-africano com menor poder aquisitivo foi ceder uma parte da bilheteria para o Comitê Organizador da África do Sul – SAOC. “Vamos vender 3,2 milhões de entradas. Deste total, devemos ceder 140 mil”, calcula o dirigente.

Byrom acompanhou a entrevista coletiva organizada pelo SAOC em um hotel de Pequim, na manhã desta quinta-feira, com o intuito de desmentir as notícias de que a FIFA estaria pensando num “plano B” porque o ritmo da construção dos estádios e das obras de infra-estrutura estariam atrasadas.

Para isso, os africanos tiveram o cuidado de levar o secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, para dizer em alto em bom som que nada mudou desde novembro de 2004, quando a África do Sul foi escolhida como sede da Copa de 2010.

E Jérôme abriu sua fala assim: “Vou começar respondendo a pergunta que todos aqui, com certeza querem fazer: a Copa do Mundo de 2010 vai ser na África do Sul”.

Ele confirmou que a entidade máxima do futebol tem, sim, um Plano B. Mas explicou que esta alternativa só é acionada em caso de desastres naturais ou algo extraordinário. “Trata-se de uma Copa do Mundo da FIFA na África do Sul. Esta possibilidade nunca esteve em perigo. Estamos trabalhando para, com e dentro da África do Sul”.

Valcke lembrou ainda que, em 2004, nem todos os estádios da Alemanha estavam prontos como prometido no caderno de encargos. Na coletiva, o presidente do SAOC, Danny Jordaan, mostrou fotos de oito estádios, todos com obras em andamento. “Eles estarão prontos no final de 2009”, garantiu.

Os sul-africanos trouxeram também o ministro Jabu Moleketi para falar do investimento feito até aqui e como o país vai fazer para cobrir os US$ 4,5 bilhões previstos na organização do torneio. “Ainda temos recursos que virão da iniciativa privada. O governo garante o investimento”.

No final da entrevista, Jerome falou com o Blog do Boleiro.

Perguntado se a Copa do Mundo de 2010 continua na mesma sede, ele foi enfático e bem-humorado: “A FIFA confirma. A Copa do Mundo de 2010 será na África do Sul e a Copa do Mundo de 2014 será no Brasil. Honestamente, a FIFA não achava que o Brasil tinha condições de ser sede em 2010. Os sul-africanos estão seguindo nos trilhos e o Brasil tem tempo para organizar um ótimo torneio”.

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20 de agosto de 2008

Thiago Neves acertou Mascherano por querer

borges_luciano às 0:49

Por Luciano Borges
Direto de Pequim

A conversa com o Blog do Boleiro, na madrugada desta quarta-feira, saiu assim: Thiago Neves já estava no final do corredor da zona mista do estádio dos Trabalhadores, em Pequim. Parou para responder se tinha acertado o argentino Mascherano de propósito, no segundo tempo da derrota para a Argentina por 3 a 0. E foi embora cheio de mistério sobre seu futuro no Fluminense.

Blog do Boleiro – Aquela falta sobre o Mascherano, que causou sua expulsão, foi de propósito?
Thiago Neves – Ah, ele irrita. Ele provoca muito, fica falando, marca e dá porrada. A gente acaba fazendo o que nunca fez antes. Eu nunca dei uma entrada assim. Mas acabei acertando ele.

Blog do Boleiro - Foi a primeira vez que você enfrentou a seleção Argentina. É muito diferente de encarar o Boca Juniors?
Thiago Neves – É diferente. A partida do Boca Juniors era jogo de Libertadores, o time deles muito forte. Aqui foi semifinal de Olimpíada, a seleção argentina é bem melhor, tem jogadores de mais qualidade.

Blog do Boleiro – O Brasil não foi muito contido no primeiro tempo?
Thiago Neves – Brasil e Argentina é sempre assim. Os times jogam com muito respeito, marcando forte, concentrando no meio de campo. O problema no segundo tempo é que eles fizeram o primeiro gol logo e, quando a gente estava reagindo, marcaram o segundo. Eu entrei animado, mas com dois gols atrás e menos de 45 minutos para empatar desanima um pouco.

Blog do Boleiro – Vocês conversaram sobre esta disputa do bronze contra a Bélgica?
Thiago Neves
– Nem precisou falar no vestiário. A gente sabe que a medalha olímpica é sempre importante. Vim aqui ganhar o ouro, mas vou lutar pelo bronze.

Blog do Boleiro – Você volta para o Brasil e vai continuar jogando no Brasil?
Thiago Neves – Vocês vão saber quando eu chegar lá. Vai ter novidade. Calma. Vocês vão saber.

Em seguida, o meia do Fluminense caminhou para o ônibus do Brasil que, desta vez, não teve pagode no fundão nem Ronaldinho Gaúcho entre os passageiros.

(Foto: AP)

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Chineses comemoram ar mais limpo em 10 anos

borges_luciano às 0:45

Por Luciano Borges

O diário China Daily, editado em inglês, estampa na capa da edição desta quarta-feira, dia 20: “Nada além de ‘céu azul’ daqui em diante”. Os chineses estão comemorando a vitória sobre a poluição durante os Jogos Olímpicos. Este era o calcanhar de Aquiles dos organizadores.

Em entrevista coletiva, Du Shaozhong, diretor da Agência de Proteção do Meio Ambiente de Pequim, divulgou que a capital chinesa está convivendo com o ar mais limpo dos últimos dez anos. E ele anda otimista: “É possível continuar assim depois da Olimpíada. Pequim vai se tornar uma cidade muito mais habitável”.

Há controvérsias. Para limpar o ar da cidade, as autoridades promoveram um rodízio de carro, paralisaram indústrias e construções. Estas fontes poluidoras vão voltar a partir do dia 25.

Shaozhong garante que o governo chinês vai anunciar “novas medidas que garantam a continuidade da qualidade do ar depois dos Jogos”. Não há prazo para estas novidades.

Na metade dos últimos 18 dias, o ar foi avaliado como “very highest quality” (muito bom). Nos outros, a qualidade do ar chegou ao nível de razoável (“fairly good”). O índice médio de poluição neste período foi de 56, bem abaixo de 81, medido no ano passado, nesta mesma época.

Guo Hu, diretor do centro meteorológico prevê chuvas para quarta e quinta-feira. No domingo, dia da cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos, a previsão é de dia nublado.

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18 de agosto de 2008

Jogadores da seleção criam muralha para Ronaldinho

borges_luciano às 12:51

Por Luciano Borges
De Pequim

A idéia nasceu depois do desembarque em Hanói, no Vietnã. Ronaldinho Gaúcho tinha acabado de ultrapassar, com muita dificuldade, uma multidão de torcedores ensandecidos. Já no hotel, os atletas da seleção brasileira decidiram criar a Muralha do Patrão. "Ele chama e a gente chega junto, cerca o Ronaldo e assim ele pode caminhar", explica o volante Lucas.

Desde então, a Muralha do Patrão tem funcionado bem. Mesmo na chegada do Brasil em Pequim, quando um torcedor fanático de Diego armou a confusão e saiu com um autógrafo do atleta, Ronaldinho Gaúcho tem contado com a ajuda dos amigos para pretegê-lo de assédio exagerado.

Na Vila Olímpica, onde o time de Dunga chegou no domingo, a Muralha entra em ação no refeitório. Ronaldinho senta num canto, junto com a delegação e com a proteção dos roupeiros. "Eu fecho o caminho. Numa boa, só para não incomodarem", conta o roupeiro Denir, transformado em segurança.

Na hora de buscar a comida no balão de "self service", Ronaldinho Gaúcho vai acompanhado de outros atletas, em geral Alex Silva, Diego, Hernanes, Rafinha e Jô. Eles servem de escudo. E são os amigos do pagode do fundão do ônibus da delegação.

Apesar de gostar de rock e nunca participar do samba ("eu fico com fone de ouvido escutando minhas músicas") Rafael Sóbis também participa da Muralha.

Lucas, que anda atuando como primeiro volante ("já joguei assim no Grêmio e no Liverpool, mas agora estou me dando bem"), desenvolveu um novo senso de marcação: "A gente tem que proteger o Patrão. Mas não nos incomodamos com o assédio dos torcedores", afirmou.

Em tempo: Patrão é o apelido que os garotos da Seleção Olímpica deram para Ronaldinho Gaúcho. Afinal, do grupo que enfrenta a Argentina na noite desta terça-feira, ele é o cara mais experiente.

Foto: EFE

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17 de agosto de 2008

De olho nas loiras, Cielo atrai multidão em Templo

borges_luciano às 7:10

Por Luciano Borges
De Pequim

A partir da noite chinesa deste domingo, duas tenistas da Lituânia e uma atleta da Suécia podem se preparar. César Cielo vai partir para o ataque.
O nadador brasileiro, medalha de ouro na prova dos 50m nado livre, está disposto a acabar com o jejum de mais de dois meses. “Eu estava proibido de namorar”, disse logo depois do almoço, na frente do portão sul da Vila Olímpica em Pequim.

Quer dizer, o homem mais veloz da piscina do Cubo d’Água, andou devagar nos assuntos sentimentais. E sente falta. Nem tanto de uma aventura: “Nesse tempo eu não fiquei no zero a zero, mas não tive um namoro mais longo, com sentimento”.

Ele confessou que já estava de olho nas meninas com quem vem cruzando na Vila Olímpica. E assumiu sua preferência: “Uma loirinha sempre vai bem”, falou bem-humorado.

O novo herói do esporte do Brasil virou a noite do sábado. “Fui dormir com o dia clareando”, contou. Quando acordou, consultou a internet e descobriu que tinha deixado de comparecer nos estúdio da TV Globo para uma entrada ao vivo no Jornal Nacional.

Assim que encontrou os jornalistas na porta da Vila, tentou esclarecer. Garantiu que não “furou” com a emissora de televisão. “Não consegui ir. Perdi a hora”, justificou.

Para compensar, ele aceitou dar um passeio até o Templo do Céu, um complexo de templos taoístas construído em 1420, durante a Dinastia Ming. Saiu acompanhado do técnico australiano Brett Hawke e três outros nadadores.
A partir daí, César Cielo começou a conviver com as cenas que só um cara famoso enfrenta. Ele liderou uim cortejo de cinco carros: dois táxis com os atletas, dois de emissoras de TV e um repleto de jornalistas.

Os mistérios do trânsito pequinês provocaram emoção. Os dois carros das tevês se perderam e passaram a empreender uma rápida perseguição.

César chegou no Templo (na região sul de Pequim), conheceu a Abóbada Imperial Celeste, onde os imperadores prestavam homenagem aos antepassados.

No caminho, comprou uma peteca por 10 yuans. Até jogou um pouco. E admitiu que não sabia porque adquiriu o mimo: “Nem sei o que vou fazer com ela”, disse o mais ilustre filho de Santa Barbara D’Oeste onde mora numa casa com um pequeno campo de badminton que pode ser utilizado para partidas de peteca.

Cielo queria mesmo entrar na Sala de Oração pelas Boas Colheitas, edifício circular, gigantesco (diâmetro de 30 metros e altura de 38 metros), onde os chineses rezam pedindo tempos melhores e agradecem graças recebidas. Assim, tipo Santo Expedito.

E ele tinha o que agradecer: “Estou vivendo o melhor momento da minha vida”, disse antes de sacar do bolso as medalhas de bronze (100m nado livre) e ouro (50m nado livre) que carregou desde a Vila Olímpica.

Foi a deixa. Em segundos, centenas de chineses que estavam na porta da Sala de Oração descobriram que um campeão olímpico estava no meio deles. Literalmente. Eles esqueceram os deuses e cercaram César Cielo com papéis, cadernos, canetas e máquinas fotográficas.

A assédio foi tão numeroso que Cielo se perdeu dos amigos, do técnico, e precisou andar rápido para achá-los. Na confusão, sempre sorrindo e dando autógrafos e posando para as fotos e ouvindo frases em chinês, ele teve tempo de comentar: “Estou preparado para a fama. Era isto o que eu queria”.

Isto e talvez uma tenista loira da Lituânia.

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Foto: (Agência Lance)

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16 de agosto de 2008

Força de Cielo está entre as orelhas, diz técnico

borges_luciano às 11:52

Por Luciano Borges (Direto de Pequim)

Sabe qual a principal qualidade de César Cielo? De acordo com o técnico do nadador brasileiro – o australiano Brett Hawke – ela não está nos braços. “O que ele tem de melhor fica entre as orelhas. Ele é um atleta inteligente e muito focado”, disse.

Para ganhar a medalha de ouro na prova dos 50m nado livre, César Cielo precisou dar 35 braçadas, sem respirar uma única vez. E seguiu o conselho de Hawke: “Se você largar bem, vai vencer a prova”.

Pode parecer pouco, mas tecnicamente essa era a única recomendação que o brasileiro poderia ouvir. Segundo Paulo César Marinho, biomecânico da equipe brasileira de natação, a análise da semifinal mostrou que o nadador tinha sido perfeito. “A gente chegou tranqüilo no Cubo D’Água. Só não venceria a prova se o lado psicológico não ajudasse”, disse.

César chegou no local da competição e assistiu o vídeo da semifinal, quando fez o melhor tempo e cravou o recorde olímpico (21s34). Com 34 braçadas e sem respirar. Ouviu que não precisaria mexer em nada. Estava perfeito.

Hawke se preocupou então em dar o último estímulo no atleta que tinha dormido bem e acordado “aceso” (“Eu levantei e já estava com esta final na cabeça”, disse Cielo).

“Antes da competição começar, cinco dias atrás, eu tinha olhado nos olhos do César e dito que o considerava o melhor nadador do mundo. Hoje, apenas lembrei disso e pedi que ele provasse para todo mundo que eu estava certo”, contou Brett.

O primeiro nadador brasileiro a ganhar medalha de ouro olímpica ouviu o último conselho e foi à luta. No fundo, ele achava que ia ganhar mesmo. “A medalha de bronze na prova dos 100 metros me deu esta segurança”, disse.

Quer dizer que ele andou inseguro em Pequim? “Quando me classifiquei com o oitavo tempo na semifinal, desanimei, achei que não ia dar, que eu não estava legal”, admite.

Uma das conversas que o ajudou a levantar o moral foi com Ricardo Moura, diretor técnico da CBDA. “Ele lembrou do que aconteceu com o Xuxa em Atlanta (1996). Ele ficou na raia oito da final dos 50 metros e conseguiu o bronze. Eu fui pro quarto, fiquei olhando para o teto e me acalmei”.

Depois da vitória e da medalha, César fez questão de lembrar que valeu ter insistido para trazer Brett para Pequim. “Ele foi fundamental”, elogiou. A dupla se conheceu no ano passado, quando Hawke –nadador sprinter como Cielo – decidiu ser técnico assistente na Universidade de Auburn, Tenesse (EUA).

“Eu cheguei lá para terminar meu curso de psicologia. O técnico titular da Universidade me disse que tinha um garoto muito talentoso que eu poderia orientar. Foi um entrosamento instantâneo. Pensamos do mesmo jeito”, afirmou o técnico.

Depois do ouro, Cielo visita Muralha da China

O nadador César Cielo vai acordar cedo neste domingo em Pequim. Logo às sete da manhã, ele tem entrevistas ao vivo para duas emissoras de televisão. De lá, segue com o resto da equipe de natação para a Muralha da China. Acompanhado por um batalhão de repórteres.

A CBDA assumiu o controle da relação do atleta com a mídia brasileira e internacional. As primeiras horas de Cielo depois da medalha de ouro na prova dos 50 metros, nado livre, foram cercadas de produtores disputando sua presença nos estúdios. Ele passou pela Rede Globo, ESPN Brasil e terminou na Band e Bandsports.

Nos estúdios destas duas emissoras, o técnico do atleta –o australiano Brett Hawke, perguntou para um editor: “O que você acha? Ele vai ficar famoso lá no Brasil?”. Ouviu que sim. E completou: “Bom. Ele vai ficar no Brasil até janeiro do ano que vem. Será que ele vai ganhar dinheiro?”

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Foto: (Getty Images)

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15 de agosto de 2008

Técnico chinês diz que equipe de natação é “limpa”

borges_luciano às 4:37

Por Luciano Borges
Direto de Pequim

“Por que nos acusam toda vez que nos saímos bem? Por que não nos olham quando não estamos tão bem?”. As perguntas são de Pan Jiazhang, técnico de natação da China. Ele ficou irritado depois do estranhamento geral com o desempenho das nadadoras Liu Zige e Jiao Liuyang.

Elas ganharam, respectivamente, ouro e prata na final dos 200 metros, nado borboleta, quebrando o recorde mundial e baixando em dois segundos o melhor tempo de cada uma neste ano. Esta foi também, a vantagem delas sobre as outras nadadoras finalistas. Daí o espanto. E a desconfiança de uso de alguma substância ilegal.

Liu venceu a prova com 2min04s18. Seu tempo de classificação para os Jogos era de 2min06s25. Em 2008, o mais rápido que nadou foi 2min07s76.

Jiao chegou em segundo com 2min04s72, sendo que o índice dela para Pequim foi de 2min06s42. Mas nesta temporada, ela era a 21ª do ranking da Fina com 2min08s84.

Jiazhang é veemente ao defender seus atletas: “É só olhar quantas vezes eles foram testados. Posso garantir que esta é uma equipe limpa”.
Os tempos na noite desta quinta-feira são excepcionais para quem não estava na lista das dez mais rápidas de 2008. Mas, do ponto de vista da equipe chinesa, trata-se apenas de estratégia. “Nosso foco sempre foram os Jogos de Pequim. Nós crescemos rápido e consistentes nos últimos anos”, garante Liuyang.

Pan aponta dois outros fatores que ajudaram Liu e Jiao a “voarem” no Cubo D’água: o traje e a torcida. As duas chinesas utilizaram o maiô LZR, da Speedo (“eles ajudaram”) e contaram com o barulho dos chineses no ginásio: “Definitivamente, eles ajudam muito nossos nadadores”, afirmou.

Jiao concorda com o técnico. “Eu me senti muito poderosa quando fui empurrada pelos espectadores. Eu achava mesmo que ia conseguir uma medalha na final”.

Com ou sem estes dois aditivos, nadadoras da final não esconderam a surpresa de serem batidas pela dupla de adolescentes chinesas. “Eles foram muito rápidas. Foi muito inesperado”, disse Jessica Schiper, medalha de bronze, que detinha a sexta melhor marca de 2008 antes de chegar em Pequim.

Os técnicos chineses dizem que a grande aposta da equipe de natação era mesmo nos 200mts nado borboleta. Nos dois últimos Mundiais, nenhum nadador da China conseguiu ganhar medalha de ouro.

Desde 2004, em Atenas, a China andava fora dos pódios a nível mundial. A própria Jiao, de 17 anos, mostrou um dos melhores resultados, com o quarto lugar na final do Mundial de 2007.

Até esta sexta-feira, os chineses acumulavam cinco medalhas no Cubo D’Água, sendo uma de ouro, três de prata e uma de bronze. Pan Jiazhang avalia que o time ainda não atingiu todo seu potencial. “As pessoas acham que chegamos ao máximo, mas podemos dar mais”.

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Foto: (Reuters)

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14 de agosto de 2008

1ª eliminada dos Jogos vira turista por 15 dias

borges_luciano às 0:06

Por Luciano Borges

Erin Carroll está se divertindo em Pequim. Já visitou os pontos turísticos, fez compras e agora freqüenta as competições dos Jogos Olímpicos. Afinal, a atleta australiana do badminton está com tempo de sobra. Ela é a primeira eliminada do evento. Sua aventura em Pequim durou 32 minutos.

Esta foi a duração da partida que Erin disputou contra a espanhola Yoana Martinez. A disputa começou às 9h10 do dia nove de agosto. Logo depois, Carroll estava fora dos Jogos, perdendo por dois sets a zero (21-9 e 21-16).

Foi uma batalha ser conhecida como "first loser". Ela conseguiu ser eliminada antes de Juliane Schenk, a alemã que perdeu o jogo de estréia contra Maria Kristin Yulianti, da Indonésia, por 2 sets a um. Este confronto começou às 9h00, mas durou 58 minutos.

Ou seja, Erin Carroll começou 10 minutos depois e terminou 16 antes da segunda atleta do mundo a cair fora da Olimpíada de Pequim.
Mas esta marca não parece afetar a estudante de educação física da cidade de Ballarat, Victoria. “Tinha que acontecer com alguém. Eu dei meu melhor”, disse ao jornal diário China Daily.

Carroll, de 22 anos, não estava escalada para as duplas. Por outro lado, ganhou duas semanas para apreciar de fora o que acontece na capital chinesa. Perguntada sobre o que pretendia fazer com este tempão livre, ela respondeu: “Comprar, comer e torcer por meus colegas”.

Ela também jurou que continuaria treinando junto com os outros sete atletas australianos do badminton. E também cuidar da alimentação dos colegas: “Eu vou bolar algumas dietas para deixá-los nas melhores condições”, afirmou.

Com bom humor, Erin – que é filha de jogadores de badminton – se saiu com esta declaração para comentar sua situação: “Se é para ser eliminada, melhor que seja cedo”.

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