Por Luciano Borges
Nelsinho Baptista foi informado por um segurança do Sport de Recife que o segundo jogo da final da Copa do Brasil será disputado na Ilha do Retiro. A reação do treinador foi esta: “Beleza, beleza”.
Ele chegou a dizer – depois de eliminar o Vasco na semifinal – que não estava preocupado com o mando de campo. Mas sabe que, dependendo do desempenho na partida de ida, a torcida pode fazer a diferença.
O homem que dirigiu o Corinthians no final do Campeonato Brasileiro do ano passado – e caiu junto com o time para a Série B – garante conhecer o adversário da decisão. Nelsinho tem acompanhado o Corinthians em teipes e transmissões ao vivo.
No início da atual temporada, ele foi contratado pelo Sport para ganhar o estadual. Ganhou. A diretoria do clube manteve 70 por cento da base de 2007. Por indicação do treinador, foram contratados atletas como os atacantes Enílton e Leandro Machado, além o volante Sandro Goiano.
Ganhar a Copa do Brasil não era prioridade do Sport. Mas depois de eliminar o Palmeiras e Internacional de Porto Alegre, o time pernambucano começou a vislumbrar um desempenho de campeão. A última vítima foi o Vasco da Gama.
O time descansou e fez apenas uma caminhada pela praia. Na manhã desta sexta, a delegação viaja para Porto Alegre. Vai encarar o Inter-RS que precisa de vitória e de revanche.
Nesta quinta-feira, no início da tarde, Nelsinho Baptista conversou com o Blog do Boleiro por telefone. Ele estava no quarto do hotel no Rio de Janeiro. Ficou irritado quando as perguntas lembraram o encontro do técnico contra o time que caiu para a 2ª Divisão.
A seguir, a entrevista:
Blog do Boleiro – O que você achou de mandar o jogo final na Ilha do Retiro?
Nelsinho – É bom, mas tudo depende do que vamos fazer no jogo de ida. Não adianta achar que só isso resolve. Temos que correr atrás.
Esta final vai reunir as duas melhores equipes da Copa do Brasil?
Lógico. Os dois times fizeram um trabalho de qualidade. Agora, o futebol é dinâmico, principalmente em final. Aí vale tudo. Até fugir de sua característica. É o céu ou o abismo. E nós temos que fazer o melhor possível.
Você tem estudado o Corinthians?
Lógico. Nós temos olhado. A gente tem acompanhado o Corinthians, que vem fazendo um trabalho novo desde o início do ano e vem fazendo direito. Por isso já está na final da Copa do Brasil.
O Sport se tornou um “demolidor de grandes”, mas o time já não está satisfeito com o que fez até agora?
A gente já ouviu este tipo de pergunta depois que eliminamos o Palmeiras e depois que eliminamos o Internacional. Mas nosso time tem os pés no chão. E não tivemos muito tempo para saborear estas vitórias. Sempre depois de um adversário duro, veio outro mais forte ainda.
Os jogadores do Corinthians já falam em favoritismo do seu time.
Não tem isso não, Na realidade, sempre fomos azarões. Foi assim, acreditando no nosso trabalho, que conquistamos esse espaço. Estamos sempre tentando fazer o melhor.
Quem manda nesse time?
Ué, quem manda sou eu.
Quem manda dentro de campo? Quem é líder?
Esse grupo é experiente, forte e muito tranqüilo. Não tem vaidade. Todo mundo aqui quer ganhar e os jogadores se cobram.
Esta final coloca o Nelsinho contra o Corinthians, em campo. É um confronto cercado por coincidências.
Isso aí não vai pegar não. Não adianta querer tirar algum comentário, alguma palavra. Eu não penso assim. Eu estou pensando no Nelsinho de hoje. O que passou, passou. Quando ganhei, passou. Quando perdi, também passou, ficou pra trás.
Mas você tem alguma dívida com o Corinthians?
Nenhuma. Não tenho nenhuma…(Nelsinho fala agitado) Já fui perguntado hoje sobre isso, mas não tem nada. Eu sei que querem ouvir palavras da minha boca para virar manchete, mas não quero falar sobre isso.
Você vai colocar o time titular contra o Internacional, no sábado?
A intenção é colocar o time todo. Eles estão esperando a gente com tesão de menino de 18 anos. Não posso colocar só garotos, porque eles vão passar por cima. Não posso tomar goleada numa hora dessas. Depois, o jogo é no sábado e só vamos jogar de novo na quarta-feira. Há tempo para descansar.