Titular e ídolo no PAOK da Grécia, lateral Lino quer voltar ao futebol brasileiro
Por Luciano Borges
Nos últimos quatros jogos, três gols e uma assistência. Este é o desempenho recente de Lino, lateral-esquerdo do PAOK, equipe de Tessalônica, na Grécia. Ele é titular da equipe quarta colocada no Campeonato Grego. E quer voltar ao Brasil, enquanto disputa sua quarta temporada.
O lateral vem jogando direto. “Na parte física, não tenho do que reclamar. Corro os 90 minutos tranquilamente e ainda bato faltas, apóio sempre. Hoje, consigo conciliar a parte física com a técnica”, garantiu ao Blog do Boleiro numa entrevista por telefone. Neste domingo, o PAOK enfrenta um de seus principais rivais, o AEK, no campo adversário.
Lino é uma das referências do PAOK, que já procurou o atleta para discutir um novo contrato, com duração de dois anos. Mas se atrair um clube brasileiro, prefere retornar ao Brasil. No final do ano, chegou a conversar com dirigentes do Londrina. “É uma possibilidade um pouco difícil. O PAOK não me deixa sair”, afirmou.
Aos 34 anos de idade, com vontade de jogar por mais seis temporadas, Lino sente em casa a pressão para voltar ao futebol brasileiro. “É mais vontade da minha mulher Giovana e meu filho Eduardo”, disse. Ele acha que o momento é propício. “A hora certa seria no final do contrato. Não pode demorar muito”, calcula.
Lino acompanha o futebol no Brasil. Considera o Campeonato Brasileiro competitivo e acha que tem condições de acompanhar o ritmo e a forma de jogar dos clubes daqui. “Eu sei que esta mudança traria um pouquinho de dificuldade. Sei que é outra realidade, outro tipo de jogo, outra condição de gramado, mas tenho me preparado”, afirmou.
Durvalino Alves Maciel anda pelo futebol europeu desde 2006, quando foi contratado pela Acadêmica de Coimbra. Ele tinha 28 anos na época, o que é considerada uma idade avançada para jogar na Europa. Depois de jogar 29 das 30 partidas do time no Campeonato Português, o lateral chamou a atenção do Porto, para quem jogou durante duas temporadas, sagrando-se bicampeão nacional e campeão da Copa de Portugal.
O técnico português Fernando Santos, atual treinador da seleção da Grécia, recomendou Lino ao PAOK. O brasileiro, nascido em São Paulo, se estabeleceu na cidade grega, também chamada Salônica, que é a segunda maior do país.
Nesta semana, o PAOK foi eliminado pelo Atromitos de Atenas nas quartas de final da Copa da Grécia. O time passa pensar na Liga da Europa. Na primeira fase do torneio da UEFA, ele terminou em primeiro no Grupo A, com 12 pontos em seis jogos. Vai enfrentar agora a equipe da Udinese, da Itália.
A partida de ida da fase de 16 avos-de-final será disputada no estádio Friuli, em Udine. Foi nesta competição que Lino descobriu o quão fanático é o torcedor do PAOK. “É a torcida mais fanática que conheci. É muito dedicada ao time. Tem sempre um grande número de torcedores mesmo nos jogos fora de casa”, disse.
Em dezembro, quando o PAOK bateu o Tottenham Hotspur por 2 a 1, no estádio londrino de White Hart Lane, cerca de três mil fanáticos fizeram festa para a equipe tessalonicense. “Vieram torcedores que moram na Inglaterra, Alemanha, Suíça e mesmo da Grécia. Eles são fanáticos, tiram a roupa, bebem, fazem uma festa”, contou.
A crise econômica que praticamente parou a Grécia nos últimos anos, chegou ao futebol. “É nítido. A crise afetou muitos clubes daqui e também de Portugal, Espanha. Muitas empresas foram afetadas”, falou Lino. “A média de público caiu em cerca de três mil pagantes por jogo. No passado, nos jogos do PAOK aqui em casa, a gente tinha 5, 26 mil torcedores no estádio. Hoje dá uns 23 mil. Isso mostra que a crise está pegando no bolso do torcedor”, completou.
Para quem não se lembra de Lino no São Paulo, Fluminense, Figueirense e Bahia, clubes por onde passou, ele é o lateral alto (1,84 metro), que começou no futebol com 20 anos na base do Corinthians. Sua vida profissional inclui tentativas de jogar no exterior, antes mesmo de vestir uma camisa de equipe grande já como profissional.
Ele passou por testes da Alemanha (Borussia Mönchengladbach1999), Espanha (Atlético de Madrid, 1999) e China (1998). No Brasil, atuou por equipes como São Caetano (1999), Iraty (2000/2001), Marília (2006) e Juventude (2006). Quando deixou a equipe gaúcho e foi para Portugal, ele contrariou outro dogma do futebol brasileiro, o de que jogador com mais de 23/4 anos não vinga no Velho Continente.
“As coisas aconteceram meio tarde para mim, mas foi na hora que Deus quis. Hoje, sei que ficaria mais tempo em equipes como o São Paulo, Fluminense e Porto. Amadureci, me sinto mais comprometido, maduro”, disse.
Lino conta também que está conseguindo se preparar para a aposentadoria. “Na verdade, nunca fui de fazer contratos excelentes. Sempre comecei com um acerto mediano para melhorar no ano seguinte. Mas estou me preparando para ter uma boa condição financeira”.




