Muricy ainda quer tempo; Palmeiras espera por treinador mais alguns dias
Por Luciano Borges

O Palmeiras quer Muricy Ramalho. Não procurou outro técnico. Ainda. O ex-treinador do São Paulo pediu um tempo e parou por aí. Tem evitado falar com palmeirenses.
Ele alega que ainda precisa pensar melhor o que fazer. Não foi procurado e nem procurou outro clube. Isto vale para o Internacional de Porto Alegre que, derrotado pelo Corinthians na decisão da Copa do Brasil, descartou a demissão (dada como imediata) de Tite.
O que pode decidir se Muricy Ramalho será ou não o novo treinador do Palmeiras é o tempo e a urgência. Eles são diferentes para cada uma das partes. Ao falar com o Blog do Boleiro, o presidente do Palmeiras - Luiz Gonzaga Belluzzo – mostrou onde está o impasse: “Tempo de quem? Existe o tempo dele e existe o tempo do Palmeiras. Precisamos ver”.
O time continua sendo dirigido pelo interino Jorginho. Ele ganhou o apoio dos jogadores. Sabe que não vai ficar no cargo. Diz que ainda é cedo para ele e, nisso, está de acordo com a diretoria verde.
O Palmeiras espera por um contato de Muricy desde o último sábado. Até agora, oficialmente, o clube só consultou o representante do treinador, Márcio Rivellino. Extra-oficialmente, integrantes da diretoria têm tentado conversar com o técnico.
Muricy é um cara diferente. Tem um código de ética próprio. Não pede demissão, respeita contratos, sente muito quando – como aconteceu no São Paulo – é demitido. Prefere um “assédio light”. Isso, levando-se em conta que nem Belluzzo nem o vice Gilberto Cipullo entraram ou tentaram entrar em contato com ele.
Muricy não quer entrar no esquema dos técnicos que são dispensados num dia e assinam contrato com outro clube na manhã seguinte. E não gostaria de conversar com o Palmeiras horas depois da saída de Vanderlei Luxemburgo.
Por outro lado, o Palmeiras não pode dar ao luxo de esperar indefinidamente por um contato de Muricy. Até agora, o técnico sequer deu um prazo para iniciar uma negociação. O tempo passa, contratos de atletas vão caminhando para o momento de renovação e o mercado vai esquentar em julho.
O clube poderia fazer o que o Grêmio fez com Paulo Autuori? Os gaúchos acertaram a contratação e esperaram a chegada do treinador por quase um mês. Os palmeirenses admitem que poderiam fazer isso, mas por prazo menor e se Muricy pelo menos entrasse em contato. Não dá para esperar um mês para começar a negociar.
Já se passaram duas semanas desde que o presidente são-paulino Juvenal Juvêncio chamou Muricy Ramalho para uma reunião e comunicou sua saída. Há sete dias, Luxemburgo recebeu a mesma comunicação do vice-presidente palmeirense Gilberto Cipullo. Muricy já assinou a rescisão de contrato.
Está claro que o tricampeão brasileiro ainda precisa ordenar as idéias. Entre caminhadas numa praça perto de casa, descanso num sítio no interior de São Paulo e conversas ao telefone, Muricy trabalha a cabeça. Afinal, de que adianta assinar um contrato vantajoso se ainda não está preparado para assumir ou clube?
O Palmeiras espera por Muricy, principalmente por vontade do presidente Luiz Gonzaga Belluzzo. Que já percebeu entre seus parceiros uma impaciência que o tempo e o silêncio trazem. A próxima semana é o limite. E não há restrição para buscar outro nome que já esteja trabalhando em uma equipe do futebol brasileiro.
Afinal, nem sempre a ética e o planejamento andam juntos. Se Muricy quer seguir seus princípios e não cair na vala comum do mercado do futebol, o Palmeiras tem uma equipe disputando o Campeonato Brasileiro e precisar retomar o trilho.
Conselheiros da oposição criticam a falta de visão da atual gestão no caso. Citam o exemplo do São Paulo: o presidente Juvenal Juvêncio já vinha tomando informações sobre Ricardo Gomes, quando Muricy ainda estava trabalhando no clube. Não seria o caso de se fazer o mesmo no Palestra Itália? Daria para prospectar o mercado antes de não deixar passar nenhuma “quebra de hierarquia”?
Foto: VIPCOMM/Divulgação




