
Por Luciano Borges
Um time do Brasil com Paulo Henrique Ganso e Bruno César no meio de campo. Esta é uma ideia que o próprio meia do Corinthians considera possível e viável. “Dois canhotos podem jogar juntos. Jogo com Danilo no Corinthians. Posso jogar com o Ganso na seleção”, disse o atleta, que espera uma notícia especial nesta segunda-feira.
Depois de marcar dois gols na vitória do Corinthians sobre o Guarani (3 x 1), o meia Bruno César falou – e muito – sobre a possibilidade de ser convocado para a seleção brasileira. Afinal, o técnico Mano Menezes anuncia sua primeira lista de jogadores com quem pretende trabalhar no projeto de renovação determinado pela CBF. Os escolhidos vão participar do amistoso contra os Estados Unidos, no dia 10 de agosto.
Ele deixou o estádio do Pacaembu e viajou para Americana (interior de São Paulo), onde vai passar o dia com a família. A mãe, dona Teresa e as tias Maria e Marina já avisaram que vão ficar de olho na internet e na televisão para saber se o ex-treinador do Corinthians vai chamar o meia para este primeiro grupo. “Elas vão me avisar. Estou com esperança, mas se não der ainda tem muito tempo para conseguir uma chance”, declarou Bruno.
Depois de ter sido o destaque do Santo André no Campeonato Paulista, ele se transferiu para o Corinthians. Depois do clássico contra o Santos, no final de maio, ele se tornou titular e um dos principais jogadores no esquema 4-4-2 adotado por Mano Menezes. Já jogou onze vezes com a camisa corintiana. Marcou sete gols.
A conversa com o Blog do Boleiro foi pelo telefone. O jogador – que tem 21 anos, já andou fazendo as contas para saber se poderá participar do torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres. “Tenho 21 anos. Vou completar 24 somente em novembro de 2012. Acho que dá”, afirmou.
E analisou também outras possibilidades, como a de – um dia – jogar ao lado de Paulo Henrique “Ganso” no mesmo selecionado.
Blog do Boleiro – O que você acha de formar meio de campo com o Paulo Henrique?
Bruno César – Acho que não tem problema. Nós dois somos canhotos. Ele é um excelente jogador e está mostrando isso. É um cara que arma bem o jogo, ajuda na marcação quase como um volante. Eu também armo o jogo e chego um pouco mais na área.
Mas são dois canhotos. Não vão “trombar” no mesmo setor?
Não. É uma questão de conversa. Com muita conversa, podemos revezar o lado do campo. Eu jogo com o Danilo no Corinthians. Se dá certo Bruno César/Danilo no Corinthians, pode dar certo Paulo Henrique/Bruno César na seleção.
Vocês duelaram no Campeonato Paulista. São amigos, trocam ideias?
Sabe que, durante o Paulista, no jogo no Bruno José Daniel, o Paulo Henrique meteu uma caneta em mim (bola entre as pernas). Ele ficou me gozando por isso. Depois, na última partida final, no Pacaembu, lá pelos 30 minutos do primeiro tempo, o Arouca dividiu uma bola com o Rodriguinho e quando ela sobrou pra mim, devolvi a caneta no Ganso. Ele ficou brincando, dizendo que não tinha valido. É um cara legal.
Seleção é lugar para mostrar serviço logo de cara. Você tem personalidade para encarar uma missão dessa?
Eu creio que sim. Quando estreei como titular do Corinthians, o adversário era o Santos. Eu participei de um gol e fiz outro, num jogo cheio de provocações. Acho que fiz a diferença. Mostrei no Corinthians que não sinto peso da camisa. Gosto de chamar o jogo, de participar das jogadas. Sei que na seleção tem que ser assim e tem que fazer resultados também. Não adianta só jogar bem, mas participar de gols, ajudar nas vitórias.
Vou citar alguns jogadores que poderão ser convocados ou que o Blog do Boleiro gostaria de ver na seleção. Diga o que você acha de cada um. O primeiro é Neymar, do Santos.
Ele é diferenciado. Sempre que pega na bola, vai para cima do adversário. É muito bom e perigoso.
Dentinho, do Corinthians.
Ele é um jogador raro. Dribla bem, sabe prender a bola, chama faltas, faz gols. Ele está voltando com tudo no Corinthians e está fazendo a diferença em campo.
Hernanes, do São Paulo.
É outro cara diferente. Ele bate na bola com as duas pernas, tem visão tem visão de jogo, arma, faz gols, chuta de fora da área, defende, ataca. É muito bom.
Alex Silva, do São Paulo.
Ele já mostrou na seleção que pode contribuir bastante com a defesa. É um zagueiro seguro, cauteloso, sai para o jogo quando pode e é muito bom no jogo aéreo. É um cara tranquilo.
Dodô, lateral-esquerdo do Corinthians.
Ele ainda não teve muita oportunidade de jogar pelo Corinthians. Nos treinamentos, ele é muito esforçado. Tem velocidade, chega muito bem na frente. Acho que ele ainda vai ter uma chance e poderá mostrar o futebol que o levou para a seleção brasileira de base.
Como foi a despedida do Mano Menezes?
Foi na palestra antes do jogo contra o Guarani. Ele se despediu e pediu para que a gente vencesse o Guarani porque ele tinha estreado exatamente contra o Guarani. A gente cumpriu o que ele pediu: muito esforço e a vitória.
Não falou de seleção com você?
Não, nem deveria. Ele estava com a cabeça no jogo de ontem.
Você acha que, por ser titular no Corinthians sob o comando do Mano, pode cavar esta vaga na seleção?
Talvez ajude. Mas vou falar: será a realização de um sonho jogar pela seleção. Tenho expectativa, mas posso garantir que estou tranqüilo. Minha cabeça está no Corinthians. Estou apenas no começo no clube. Quero realizar muitas coisas. Se não der agora, continuo fazendo meu trabalho. Quem sabe terei uma chance num futuro próximo.
(foto: Ricardo Matsukawa/Terra)